- eu encontrei e quis duvidar: tanto clichê deve não ser. entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio. e eu que pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida.
- eu vi quando você me viu. seus olhos pousaram nos meus num arrepio sutil. foi só por um segundo, todo o tempo do mundo e o mundo todo se perdeu. e até quem me vê lendo jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei.
- ao te conhecer dei pra sonhar, fiz tantos desvarios. eu, que te vejo e nem quase respiro. o contorno dos teus lábios pelos meus imaginares, frases tuas de insuportável beleza. na tua presença palavras são brutas. o meu coração é um músculo involuntário e ele pulsa por você. entre risos nervosos tenho os olhos meus sobre os sonhos teus.
- entre por essa porta agora e diga que me adora. você tem meia hora pra mudar a minha vida. vem, vambora, que o que você demora é o que o tempo leva. vem pra misturar juizo e carnaval, vem trair a solidão. vem pra se arrumar na minha confusão, vem querendo ser feliz. vem me trazer calor, fervor, fervura, me vestir do terno da ternura. sexo também é bom negócio: o melhor da vida é isso e ócio. carícias plenas, obscenas.
- apenas prometa-me amor discreto e agudo. me abraça, me aperta, me prende em tuas pernas, me prende, me força, me roda, me encanta, me enfeita num beijo. vamos viver agonizando uma paixão vadia, maravilhosa e transbordante, como uma hemorragia.
- se alguém tocar seu corpo como eu, não diga nada. já conheço os passos dessa estrada, sei que não vai dar em nada. se tudo correr bem, vamos nos odiar.
- chega. não me condene pelo seu penar. eu não pertenço ao mesmo lugar em que você se afunda tão raso, não dá nem pra tentar te salvar. é uma pena mas você não vale a pena. não vale uma fisgada dessa dor. não cabe como rima de um poema de tão pequeno.
- nossa relação acaba-se assim: como um caramelo que chega-se ao fim na boca vermelha de uma dama louca. deixe a porta aberta quando for saindo. você vai chorando e eu fico sorrindo.
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